O que aconteceu
A Anvisa anunciou novas medidas de combate a irregularidades na importação e na manipulação das chamadas canetas emagrecedoras, os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. O pacote prevê maior fiscalização das farmácias de manipulação e das empresas que importam os insumos farmacêuticos ativos usados nessas preparações.
Segundo a própria agência, em 2026 foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, que resultaram na interdição de oito empresas por problemas técnicos e falta de controle de qualidade. A Anvisa também informou que, desde janeiro do ano, publicou dez ações de proibição de importação, comércio e uso de produtos irregulares contendo esses ativos. Entre as medidas anunciadas está a revisão de normas do setor, com destaque para a RDC 67/2007, que trata das boas práticas de manipulação, e para a Nota Técnica 200/2025, sobre a importação e manipulação desses insumos.
O recado da agência é direto. A manipulação de agonistas de GLP-1 deixou de ser um nicho discreto e virou alvo prioritário de fiscalização. Para clínicas de estética, consultórios e farmácias de manipulação que trabalham com esses ativos, o risco não é mais teórico. As interdições já estão acontecendo, e o gatilho mais comum é exatamente o controle de qualidade e a origem dos insumos.
Quem prescreve ou indica esses produtos precisa ter clareza sobre a procedência. Insumo importado fora dos canais regulares, sem rastreabilidade e sem laudo de controle de qualidade, expõe o estabelecimento a interdição, a responsabilização sanitária e a um risco assistencial concreto. A farmácia de manipulação, por sua vez, deve revisar agora seus procedimentos à luz das boas práticas e da documentação de cada lote, sem esperar a revisão final das normas.
O caminho preventivo é auditar a cadeia. De onde vem o insumo, qual a documentação de importação, como é feito o controle de qualidade e como a dispensação é registrada. Esse mapeamento, feito antes da fiscalização, separa o estabelecimento que apenas surfa a moda daquele que opera com segurança jurídica e sanitária.
- RDC Anvisa nº 67, de 2007: dispõe sobre boas práticas de manipulação de preparações magistrais e oficinais para uso humano em farmácias. Em revisão, conforme anúncio da Anvisa.
- Nota Técnica Anvisa nº 200/2025: procedimentos para importação e manipulação de insumos farmacêuticos ativos agonistas de GLP-1. Em revisão, conforme anúncio da Anvisa.
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Esse tema afeta o seu negócio?
Se a sua clínica ou farmácia trabalha com agonistas de GLP-1, vale auditar agora a origem dos insumos e os procedimentos de manipulação antes da próxima fiscalização.
Falar no WhatsAppConteúdo de caráter informativo sobre conformidade e regulação. Não constitui parecer jurídico, que depende da análise do caso concreto.